O Expresso publicou esta semana uma entrevista muito interessante com o ex-Governador do Banco de Portugal, Silva Lopes, em que este defendia um sistema de poupança obrigatória. A ideia é muito simples e interessante, como a populaça já por diversas vezes mostrou total incompetência para gerir o seu (parco) património, contraindo galopantemente crédito junto da banca, sem capacidade depois para o pagar, uma percentagem do seu rendimento deveria obrigatoriamente ser depositado todos os meses junto de um banco (numa conta aberta em nome dessa pessoa) para fazer face a eventuais "contratempos futuros" (por exemplo ter que pagar o que deve).
Bem sei que é uma medida própria de um processo de interdição aplicável a casos de anomalia psíquica, mas receio bem que a medida faça todo o sentido e seja plenamente adequada ao estado de desgraça a que chegámos em pleno séc. XXI.
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8 comentários:
Paulo,
Adepto de paternalismos de natureza para-estatal?
Tudo fomentado pelo mesmo Estado que não sabe tomar conta de si (prova: os consecutivos déficits...!)
Pelotiqueiro Desmascarado (de agora em diante ficas o PD, tens um nome muito grande ...),
A minha concepção de Estado não corresponde à sua total neutralização, mas sim para servir os que mais necessitam. Chegados à triste conclusão que a populaça não sabe gerir os seus rendimentos, não me chocaria a medida. Aliás, o Estado não teria que intervir na gestão desse dinheiro (meu Deus !!!), apenas haveria uma obrigação de depósito (uma espécie de fundo de garantia).
Apesar de reconhecer que a medida levanta uma série de problemas práticos (e jurídicos).
Paulo Martins,
É difícil gerir orçamentos quando o Estado te leva um terço do que ganhas todos os meses e, depois, no final do ano te pede mais uns quantos.
Porque é que hei de ganhar menos 60% do que ganho?
Como há cem anos: menos Estado, melhor Estado.
PD,
Ai tu achas que se chegou à crise do subprime pela existência de impostos. Achas mesmo que uma família tipicamente portuguesa que compra tudo não tendo quase nada, se tivesse mais um pouco (do que não pagaria de impostos) não continuaria a endividar-se ??? Se calhar o problema ainda era maior.
Quanto ao princípio da redução do Estado, com o qual concordo, podia começar de tantas outras formas. Haja vontade ...
Paulo,
A crise começou com excesso de imaginação, ineficaz regulação. Talvez se o Estado não estivesse tão entretido com 248 sectores de actividade conseguisse ser bom gestor de uma ou outra...
E sim, talvez os particulares conseguissem folga para investir e criar riqueza.
NMB,
Concordo e acrescenta aí: irresponsabilidade de quem contratou empréstimos sem capacidade para os pagar ou defendes a irresponsabilidade social em nome de um Estado liberal ???
Paulo,
Ou tratas as pessoas como maiores de idade e com capacidade jurídica plena ou, ao invés, consagras um mecanismo de tutela generalizada do Estado. Já estou a imaginar: retocas o 125º e segs do Cod Civ e passamos a ser todos incapazes por princípios, interditos por prodigalidade ex natura rerum? Não quereria viver nesse Estado que prefiguras...
Os particulares abusaram? Paguem. Os que sempre cumpriram é que não podem ficar por parvos (à boa maneira do Media Markt...).
Os bancos facilitaram? Paguem os accionistas. Os contribuinte não tem culpa.
No que a esta crise diz respeito e porque de sistémica passa facilmente a recessão, admito intervenções e nacionalizações. Mas a supervisão, não justifica reflexões, avaliações e reestruturações? Será que os responsáveis, ainda que não culpados, não devem colocar o cargo à disposição?
É que entre o BCP e o BPN já lá vai quase um terço do sistema bancário...
A ideia cingia-se aos que comprovadamente (ex: incumprimento do seu crédito bancário por 2X) não sabem gerir o seu património.
"Os particulares abusaram ? Paguem". Com o quê? pergunto eu ...
"Os bancos facilitaram? Paguem os accionistas. Os contribuinte não tem culpa." E o efeito contágio? E a (acentuada) crise de confiança nos mercados que resultaria de uma não intervenção do Estado?
O Governador do Banco de Portugal já se devia ter demitido há muito. Aliás, a instituição devia ser toda repensada de raíz. As diferenças a todos os níveis quando comparado com a CMVM são gritantes (instituição, que com as suas debilidades, é muito mais recente, moderna e eficaz). O Banco de Portugal transformou-se ao longo dos anos num antro de burocracia, de carimbos, de pedidos escritos de esclarecimento, de papelada. Quem já entrou no Banco de Portugal, percebe isto muito facilmente, parece que está a entrar num departamento público da antiga União Soviética. Quem já falou com funcionários do Banco de Portugal percebe o elevado grau de "funcionalismo público" (que regra geral) estes padecem.
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