Um país que anda constantemente numa rotunda e que tarda em perceber qual a direcção que deve tomar para dela sair.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Diz que é uma espécie de partido



Confesso que demorei algum tempo a acreditar que PP pudesse significar Paulo Portas. No entanto, à medida que vemos o que se passa com o CDS - do qual destaco o recente caso Nobre Guedes - mais me convenço que tal é verdade.

O CDS cada vez é menos importante e o PP assume cada vez mais protagonismo. Temo que as próximas eleições, passe a ser o partido do triciclo em vez do táxi.

É uma espécie de partido unipessoal.

4 comentários:

Paulo Martins disse...

Concordo integralmente e confesso mesmo que foi uma das grandes desilusões que tive na política.

Paulo Portas depois da (re)entrada pouco feliz no partido, não percebeu que tem que ter uma equipa, o partido tem que falar e ter uma posição sobre os vários assuntos. Á excepção de uns fogachos (não contestando a qualidade) de Diogo Feio, o partido confunde-se sempre com o seu líder e quando assim é, pouco lhe resta senão o respectivo desaparecimento.

Não é só uma questão liderança. Esperava-se que um partido pequeno como o CDS/PP adoptasse uma linha distintiva e fracturante, ex: a via liberal que Pires de Lima tentou fundar e que cedo (por razões desconhecidas dentro do partido) caiu no esquecimento ...

Acresce que o (re)aparecimento do PSD de MFL não augura nada de bom para este PP.

Uma nota final para dizer que não adivinhava melhor sorte ao CDS com Ribeiro e Castro a líder.

Miga disse...

Também concordo. De facto, esta situação é estranhíssima... deixar arrastar o caso, omitindo-o, enfim...

Apesar da explicação, deixo-vos as declarações que já terão ouvido do secretário-geral do partido, Martim Borges de Freitas. Para ele, e apesar de todas as exsplicações, Paulo Portas tratou "os militantes do CDS-PP como palhaços com toda a confusãomal explicada sobre a demissão do vice-presidente". Mais claro e conciso não podia ser.

Nuno Moraes Bastos disse...

Todos,

Recordando posts pretéritos por "outras bandas": "I told you so!".

A forma e, sobretudo, o ruído com que (re)entrou para a direcção do CDS não permitem outro desfecho, sobretudo considerando a naturalmente reduzida base social de apoio do partido e a para muitos incerta afirmação doutrinal.

Paulo,

Recordando um exasperante debate que tivémos a propósito de umas eleições, estava-se mesmo a ver que não seria o único a pensar dessa forma...

Uma nota apenas para te dizer que o PSD de Manuela Ferreira Leite não ameaça o CDS-PP. O principal perigo para este vem de dentro e chama-se autofagia... Ou muito me engano ou este PSD não sairá dos 25/30% que constituem a base social de apoio do partido.

Paulo Martins disse...

NMB,

O grande erro não foi a forma ou o ruído da reentrada (esse foi um erro), mas sim a incerteza doutrinal. Um partido pequeno como o CDS/PP tem que ser claro, fracturante e adoptar uma linha doutrinal coerente (aqui faça-se justiça à clareza e expressão do BE, só aqui ...). O CDS/PP não pode navegar no campo mais ou menos cinzento (central) do PSD e PS. Tenho pena, pois sempre pensei que com Portas o partido pudesse afirmar-se como um verdadeiro partido de direita liberal (algo que não existe em Portugal). Pires de Lima tentou, por razões mais ou menos prevísiveis, não conseguiu.

Quanto aos nossos debates, que nunca considero exasperantes, o tema era, se bem me lembro, Portas vs. Ribeiro e Castro. Aí, como referi no primeiro comentário, mantenho a minha opinião.

Finalmente, o PSD conservador de MFL vai tirar ainda mais votos ao já espremido CDS/PP) principalmente nos concelhos a norte do país.